Binyamin Netanyahu x Ehud Barak

 


      Binyamin Netanyahu é político de direita do partido Likud, que foi eleito para o cargo de primeiro ministro de Israel após o asassinato de Ytzak Rabin, em 1995.
      Quando assumiu o cargo, Binyamin alterou as condições do Acordo de Oslo, executado em 1993. Isso foi possível pois esse acordo prevê que a cada 3 anos, durante um período de 20 anos, líderes israelenses e palestinos se juntarão para rever o acordo que visa a paz entre esses povos. Assim, na primeira etapa de recondicionamento do acordo, em 1996, Binyamin impôs o fato de que só haveria novamente uma esperança de paz se territórios sagrados, como Jerusalém, por exemplo, ou ainda as colinas de Golã, não fizessem parte das terras a serem devolvidas à Palestina. Para isso, Binyamin começou a colonizar as áreas que deveriam ser devolvidas à Palestina, a fim de que não fosse possível a execução do acordo.
      O governo de Binyamin Netanyahu era a base de imposições, ou seja, nunca foi permitida uma opinião, um diálogo. Ele faz parte do grupo dos religiosos ortodoxos, que são muito dedicados à religião, cumpridores de todos os rituais, que são de extrema importância na vida desses religiosos, assim como territórios sagrados, como Jerusalém, que deveriam ser devolvidos aos árabes.
      Com sua política personalista e centralizadora, Binyamin já não estava mais conseguindo agradar a todos os seus eleitores. Por causa disso, ex-likudistas, descontentes com seu governo, assim como imigrantes da ex- URSS, que temem a expansão da influência dos ortodoxos, começaram a ver em outra pessoa uma esperança para uma verdadeira paz entre Israel e seus países vizinhos: Ehud Barak, 57 anos, militar desde os 17, propunha uma política apaziguadora que, ao mesmo tempo que garantisse a formação de uma nova etapa do acordo, não ameaçasse a segurança de Israel nos países conquistados.
      Dessa forma, nas eleições deste ano de 1999 disputadas por Ehud Barak e Binyamin Netanyahu, foi eleito como primeiro ministro Ehud Barak, do Partido Trabalhista (esquerda). Ele, por sua vez, apresenta mais disposição para uma renegociação das terras a serem devolvidas, pois faz parte dos religiosos seculares, ou seja, que vêem a religião sem obcessão.
      Esse "moderado linha dura" apresenta ainda outro ponto a seu favor: o fato de ser um sucessor próximo de Ytzak Rabin, que foi o principal iniciador do acordo de paz entre árabes e judeus no Oriente Médio.
      Ao ser eleito, Barak assumiu uma responsabilidade talvez maior do que qualquer outro já eleito, pois além de ter que acabar com o assentamento em terras negociadas e dar continuidade ao processo de paz, estancados durante o governo de Binyamin, tem também o desafio de proporcionar a formação de um Estado Palestino (com exército próprio), e negociar Jerusalém Oriental, que não é negociada por nenhum israelense, mas é muito almejada pelos árabes.
      Tudo isso tem de ser feito com muita disciplina e cautela, pois caso contrário, um aguçamento nas disavenças entre os dois povos poderia alcançar áreas de grande valor estratégico e econômico, como Irã, Iraque ou Kwait, que são grandes fornecedores de petróleo, e causariam problemas incalculáveis para todo o mundo, e seria muito mais difícil, quase impossível, de se reverter o caos. Ehud Barak sabe disso...


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